Daniele Cavalcante

Onde não houver devastação
Curadoria: Alexandre Sá

Daniele Cavalcante e João Paulo Racy são doutorandes do Programa de Pós-graduação em Artes da UERJ e artistas com carreiras consideravelmente consolidadas, que trabalham a imagem a partir da possibilidade política de sua própria desconstrução. Não se trata especificamente de uma tautologia, mas de um aprofundamento de poéticas pós-estruturalistas que investigam as variantes possíveis da imagem nos dias atuais, através de um conjunto plural de procedimentos, suportes e proposições. Para essas duas exposições individuais, a curadoria lançou um desafio preciso: atomizar as lógicas de uso da imagem, buscando propostas outras que escapem de uma certa produção individual prévia-previsível e que sejam capazes de provocar um refluxo diante da trajetória de cada um, sem que isso implique no abandono de seus eixos estruturantes.
Daniele Cavalcante em Onde não houver devastação investe em uma fabulação universal da imagem que floresce entre o público e o privado, através de um mergulho verticalizado na experiência da memória e no investimento de paisagens áridas que são carregadas por cada um de nós. Optando por um conjunto diverso de aparatos e de escalas diferenciadas, surge a possibilidade da suspensão de uma narrativa linear que abre o espaço em cadafalso da ruína coletiva e da entropia inevitável do corpus poético que nos erige, como um murmúrio inevitável que opta conscientemente por se situar sempre fora dos objetos expostos, assentando uma atmosfera inevitavelmente dúbia e paradoxalmente épica.
Em Desvão, João Paulo Racy assume o risco de reinventar parte das políticas individuais dos seus últimos trabalhos. A paisagem, que sempre marcou o espaço para além do próprio artista e que era o resultado direto de uma proposta que jamais optou por ser etnográfica, no sentido da utilização pura e simples dos seus alvos fotográficos, redescobre o espaço ínfimo da intimidade que termina vagarosamente desconfiando gradativamente da própria imagem produzida. Se é possível apostar agora em um outro movimento mais maduro e consideravelmente sarcástico diante da experiência da obra, há ao mesmo tempo, um golpe preciso, elegante e agudo que fratura e fragiliza a presença falocêntrica da imagem para que o corpo do artista e do espectador, situados muito além de suas fisicalidades, encontrem de maneira voraz suas falências, sua quedas e seus desejos recônditos e não menos sensuais de perda e identificação.
Alexandre Sá

Paço Imperial
Praça XV de Novembro, 48
Centro - Rio de Janeiro
55 21 2215 2093
 
Terça à sábado e feriados das 12h às 17h
Entrada Franca
 
A temperatura dos visitantes será aferida, o uso de máscara é obrigatório durante a permanência no Paço Imperial e o fluxo de visitantes em todos os ambientes será monitorado para garantir o distanciamento recomendado de 2 (dois metros).

Bistrô do Paço
De segunda a sexta, das 11h às 19h30
Sábados, domingos e feriados, das 12h às 19h
 
Restaurante Arlequim
De segunda a sexta, das 10h às 20h
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h