Leandro Vieira

CORPO POPULAR
curadoria de Daniela Name

ARTISTA E CARNAVALESCO DA IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE INAUGURA
EXPOSIÇÕES NO PAÇO IMPERIAL E EM UM TREM-GALERIA NA CENTRAL;
COM CURADORIA DE DANIELA NAME, PROJETO DEBATE AS FANTASIAS
COMO OBRAS DE ARTE CONTEMPORÂNEA ATRAVESSADAS POR QUEM
AS CONFECCIONA E QUEM AS VESTE NOS DESFILES DE CARNAVAL

Corpo popular é uma exposição mult ilinguagem, que debate a construção
art íst ica de f ant asias por Leandro Vieira nos 10 desf iles que criou para o carnaval
carioca, enfatizando quem as faz (os trabalhadores dos barracões) e quem as
vest e (os component es das escolas de samba). Com curadoria de Daniela Name,
produção executiva da Museo e idealização da Caju, o projet o venceu o edital
FOCA da Secret aria M unicipal de Cult ura do Rio de Janeiro e recebeu o apoio
institucional da Supervia, da Riot ur e do Grêm io Recreat ivo e Escola de Samba
Imperatriz Leopoldinense.
A mostra, que será cercada por diversas atividades complementares, acontece
simult aneament e em dois lugares do Rio de Janeiro: o Paço Imperial e um t rem
transformado em galeria, parado na plat af orma 13 da Cent ral do Brasil, e que
abrirá as port as para o público em seis sábados de dezembro e janeiro. No Paço,
a inauguração acont ece no dia 2 de dezembro, sábado, das 14h às 18h; na Cent ral,
na semana seguint e, 9 de dezembro, com conversa com o artista e a curadora às
11h, e visit ação durant e t odo o dia.
“ Conceber visualidade através de uma produção artística que é têxtil, pict órica e
resulta num ornamento transformado em vest uário de caráter fantasioso que será
performado em desfile, tornou- se não apenas a minha produção artística mais
significativa, como t ambém, uma marca que registra meu trânsito visual com os
territórios, os anseios e os corpos periféricos que dialogam com a minha
experiência suburbana” , diz Leandro. “ Assim, a exposição investiga esse
processo que é part icular, mas também coletivo, ampliando-o para um olhar
minucioso que lança luz nas experiências corporais de homens e mulheres no
est ado pleno de suas perf ormances carnavalescas. Enquant o exibe as minúcias
criativas do vest uário fantasioso que produzo como experiência artística, a
mostra ref let e sobre a participação de outros corpos na elaboração de uma
experiência que atinge a plenitude a partir da incorporação ficcional
possibilit ada pelo t raje criado.”

Para a curadora de Corpo popular, criar m ódulos distintos no Paço e na Central
d o Brasil é u m a form a d e d em ocratizar o acesso ao p rojet o, além d e lem b rar a
im p o rt â n c ia h ist ó ric a e c o n t e m p o râ n e a d o t re m p a ra o s c o rt e jo s . As e s c o la s d e
samba amadureceram c om o um a organização social e cultural em com unidades
q u e m a rg e ia m a lin h a fé rre a . Alé m d isso , o s t ra b a lh a d o re s d o s b a rra c õ e s ,
p arceiros dos carn avalescos n as execuções d e fan tasia, são m ajoritariam en te
usuários do trem , m eio de transp orte m uito im p ortante para assegurar a
circulação de com p onentes nos dias de folia.
Outro p on to im p ortan te d o p rojeto, segun d o Dan iela Nam e, é o d esejo d e m ostrar
o carnaval com o um a esp écie de m useu em trânsito.
“Corpo popular t ra t a a o b ra d e Lea n d ro Vieira co m o u m ve t o r p a ra debater a
fantasia de carnaval com o um a m odalidade artística que está em diálogo com
um a coletividade de saberes na execução no barracão e tam bém com outras
linguagens, com o a p intura, a escultura, o desenho e, é claro, a p erform ance de
canto e dança do s fo liõ e s”, e x p lic a a c u ra d o ra . “A o b ra d e Le a n d ro é im p o rt a n t e
catalisad ora d esse d eb ate. Ele sem p re esteve aten to à im p ortân cia d a fan tasia e,
ap esar d e ter ap en as 10 d esfiles n o carn aval carioca, já d eu con trib uições m uito
relevan tes a essa lin guagem . Além da relação com trabalhadores e foliões e com
o trem , a m ostra p rocura enfatizar a fantasia com o um a reunião de im agens que
tanto estão em trânsito no desfile, que tem um a duração no tem p o e no esp aço,
q uan d o são um trân sito n o corp o d os com p on en tes. Qu ando um artista com o
Lean d ro d esen h a um a im agem ou se ap rop ria d e outras q ue lh e são afetivas p ara
criar um a fantasia, transform a o corp o em m ovim ento do folião na galeria de arte
on d e aq u elas im agen s p od em exp erim en tar, d e m od o efêm ero, o seu ap ogeu . Um
a rtista do carnaval atento às p ossibilidades da fantasia p ode transform ar cada
folião em um a galeria de arte viva, que p ulsa, se m exe e resp ira, e que tem sua
existên cia d elim itad a n o tem p o d o d esfile e n o esp aço d a p assarela.”
MÓDULOS DEBATEM QUEM VESTE E QUEM FAZ FANTASIA
No Paço, a most ra se dedica ao f olião, ao que vest e f ant asia. São apresent adas
duas instalações, uma videoinstalação, fotos, projet os para fantasia em técnicas
distintas (aquarela, hidrocor, nanquim e outras), paletas têxteis, fac- símiles,
fotografias, uma maquet e e a reprodução em grandes dimensões de um croqui
inédit o para o desf ile da Imperat riz Leopoldinense em 2024, Com a sorte virada
pra lua segundo o Test ament o da Cigana Esmeralda.
Na Cent ral do Brasil, o Est údio Sauá, que assina a expografia de Corpo popular
em seus dois módulos, bolou uma ocupação capaz de ser mont ada e desmontada
no início e no f im de cada sábado da most ra em cart az. O vagão-galeria na
Plat af orma 13 é dedicado aos t rabalhadores e art íf ices dos barracões, parceiros
de Leandro na realização dos f igurinos que o art ist a imagina. Serão apresent ados
depoiment os de cost ureiras, aderecistas e da assistente do carnavalesco; um
“ vocabulário visual” de Leandro; uma f ot ogaleria coment ada de seus 10 desf iles

no Rio; um segund o croq u i in éd ito p ara o carn aval 2024; e u m a versão em m en or
escala de Corpo em desfile, um das instalações no Paço.

ATIVIDADES PARALELAS E SITE PARA CATALOGAÇÃO
Corpo popular cont a ainda com um conjunt o de at ivações. No Paço, vão
acont ecer dois debat es. No dia 9 de dezembro, às 15h, Leandro Vieira e Daniela
Name conversam com a historiadora Raquel Barret o, present e nas curadorias das
most ras sobre Heit or dos Prazeres e Carolina M aria de Jesus. No dia 6 de janeiro,
às 15h, a equipe do projet o celebra o Dia de Reis com o público recebendo a rainha
de bat eria da Est ação Primeira de M angueira, Evelyn Bast os, e a cost ureira da ala
das baianas na equipe de Leandro, Sirley M art ins, para um debate.
No trem-galeria da Central, Penha Maria Lima, int egrante da equipe de barracão
de Leandro, oferece duas oficinas de adereçamento para o público jovem e
adult o, nos dias 16 de dezembro e 13 de janeiro, sempre às 15h e com inscrições
prévias e gratuitas divulgadas pelas redes sociais do projet o e seus realizadores.
Uma terceira oficina de Penha acontece no Centro de Artes Calouste Gulbenk ian,
no Centro, em data a ser confirmada.
Corpo popular vai gerar um hotsite (w w w .corpopoular.com.br) com a
catalogação virtual do projeto e tem uma rede dedicada no Instagram
(@corpopopular).

AS EXPOSIÇÕES PONTO A PONTO:
PAÇO IMPERIAL
Inauguração: dia 2 de dezembro, sábado, das 12h às 18h com visita mediada pela curadora
e artista às 14h.
Visitação: de 3 de dezembro a 25 de fevereiro, das 12h às 18h, de 3as feiras aos domingos.
Praça XV de novembro, 48 – Centro – Rio de Janeiro – RJ
Entrada gratuita
A n ã o s e r p e la p r e s e n ç a d a c o s t u r e ir a Sir le y Ma r t in s n o v íd e o d e a r t e s it e
sp ecific Baianas, a m ostra no Paço se d edica a quem veste fantasia, sugerind o
ao visitante que os foliões de um a escola são resp on sáveis p ela concretização
d o p rojeto artístico q ue se in icia n a criativid ad e d o carn avalesco, é atravessad o
p elos saberes de quem costura e fa z o endereçam ento d e cada figurin o e
d eságua n a p erform an ce d e can to e d an ça em um desfile.
PROCESSOS: Fazem p arte d esse m ód ulo croq uis origin ais; b ib liotecas com tod os
os tecid os corresp on d en tes a um d eterm in ad o figurin o; fac -sím iles de croquis
e dos c ad ern os d o artista; um croq uis in éd ito d o en red o d e 2024 d a Im p eratriz
Leop old in en se, Com a sort e virada para a lua, transform ad o em divisória de

tecid o d o am b ien te; e a m aquete d e um a fan tasia d e São J orge d o d esfile
m angueirense Só com a ajuda do sant o. Este últim o item já esteve n o Paço, n a
exp osição realizad a p or Lean d ro em 2017, e a cu rad oria resolveu reexib i-lo
com o um a hom en agem à relação entre o artista e a in stituição.
BAIANAS: A videoinstalação em dois canais celebra a ala mais importante e
ancest ral de um a escola de sam ba, p ondo dois saberes em diálogo: o de Sirley
Mart ins, coordenadora da bancada de costura que realiza as fantasias de baiana
de Leandro Vieira desde o prim eiro desf ile do art ist a, em 2015, pela Caprichosos
de Pilares, e o de Carla Maria Copque Galvão, baiana da Imperatriz. Ambas
foram captadas pelo olhar de Tiago Morena e as entrevistas foram realizadas
por Daniela Name e Thales Valoura.
CORPO EM DESFILE: Com o objetivo de mostrar um número signif icat ivo de
fantasias concebidas por Leandro Vieira nos 10 desf iles que assinou ent re 2015
e 2023, a curadoria criou um a inst alação que t ira part ido do m onóculo, pequeno
disposit ivo fotográfico capaz despert ar memórias afetivas em muitos
visit ant es. Na m ost ra do Paço, cerca de 250 unidades formarão uma espécie de
mar ou galáxia de pontinhos coloridos. Circulando entre os f ios de onde pendem
os m onóculos, o visit ant e poderá ver im agens realizadas por cerca de 20
fotógraf os, entre eles Diego Mendes, Fernando Grilli, Gabriel de Paiva, Léo
Queiroz e Rafael Cat arcione. Todas as imagens mostram closes, conjuntos ou
vistas aéreas desse “ corpo em desfile” , isso é, dos foliões dando sentido e
conclusão aos projet os de fant asia de Leandro Vieira ao bot á-los em movimento
e animá-los com cant o e dança na avenida.
MOTRIZ: Na inst alação, Leandro Vieira reúne cerca de 120 m at rizes ut ilizadas
como moldes para as figuras de acetato de chapéus, golas, costeiros e outros
adereços de seus figurinos. No Paço, duas paredes formam uma espécie de
museu desses personagens e element os visuais – pretos velhos, cangaceiros,
palhaças, búzios, peixes, carrancas, crucifixos – e sobre os dois conjunt os de
matrizes é projetado um vídeo dirigido e roteirizado pelo artista e filmado por
Léo Queiroz. O filme foi realizado nas com unidades da M angueira e da Serrinha
e em regiões da Zona Norte vizinhas a Ramos e à Penha e mostra os moradores
dessas localidades com seus trajes comuns e suas atividades do dia- a- dia, além
de elementos gráf icos e cult urais dessas partes da cidade. Ao sobrepor as
figuras da matrizes às dos moradores dos territórios de Imperatriz
Leop oldinense, Im p ério Serrano e M angueira, Leandro ev idencia com o os
corpos dos foliões são ao mesmo tempo vetores e inspiração para seu museu de
imagens.

TREM-GALERIA NA CENTRAL DO BRASIL

Inauguração: dia 9 de dezembro, sábado, às 11h com conversa com artista e curadora
Trem na Plataforma 13 da Central
Visitação: sempre aos sábados
9 e 16 de dezembro de 2023
6, 13, 20 e 27 de janeiro de 2024
Das 9h às 18h
Praça Cristiano Ottoni, s/n Centro – Rio de Janeiro – RJ
Acesso pelas roletas de passageiros da Supervia

Se o Paço Im p erial é dedicado a quem veste fantasia, o trem – galeria que estará
na Plataform a 13 da Cen tral d o Brasil em seis sáb ad os d e d ezem b ro e jan eiro tem
com o eixo os trabalhadores d e barracão que catalisam o p rocesso criativo d e
Le a n d ro Vie ira e m a t e ria liza m d e se n h o s, p ro p o st a s c o n c e it u a is e e st u d o s d e c o r
n o con ju n to d e figurin os (fan tasias e seus ad ereços) d e um en red o. O am b ien te
com exp ografia desenvolvida p elo Estúdio Sauá lem bra ain da os 10 desfiles
c o n ce b id o s p o r Le a n d ro Vie ira , a n a lisa d o s p e lo p ró p rio a rt ist a so b a
p ersp ectiva d a criação em fan tasia. Um a versão d e Corpo em desf ile
esp ecialm ente p en sada p ara o trem leva p ara a Cen tral um vestígio do m ódulo
exp ositivo que está no Paço.
TECER A IMAGINAÇÃO: Cin co trabalhadores do barracão da Im p eratriz
Le o p o ld in e n s e , a lg u n s d e le s n a e q u ip e d e Le a n d r o Vie ira d e s d e o in íc io d e s u a
trajetória, d ã o seus dep oim entos sobre o p rocesso de construção de fan tasias e
a sobre com o se d á o diálogo entre o p rocesso criativo do carn avalesco e os
saberes d e costura e ad ereçam en to. Particip am as costureiras Sirley d os San tos
Martin s e Cris Machado, os aderecist a s Au g u s t o Cé s a r e Gu s t a v o Ab r e u ,
a u t o d e n o m in a d o No v in h a ; e Da n d a r a Vit a l, a s s is t e n t e d e Le a n d r o . As
entrevistas foram realizadas p ela curadoria, com câm era e edição de Tiago
Morena, que tam bém realizou retratos d e cada um dos entrevistad os.
VOCABULÁRIO VISUAL: De sd e 2015, Le a n d ro Vie ira t e m d e s e n vo lvid o , c o m a
p arceria d e execução d e suas equip es d e costura e en d ereçam en to, um con jun to
de p ráticas no uso de tecidos, aviam entos e outros m ateriais, form as de
arrem ate, de acabam ento e de desenvolvim en to de estampas que se
caracterizam com o um a esp écie de vocabulário p lástico, de inventário visual. O
que cham a a atenção, na análise p lástica e visual das fantasias criad as p elo
artista, é q ue ele se ap rop ria d e m ateriais corriq ueiros d o carn aval (com o o vié s,
a p assam an aria e o tarucel, além d e esp elh os e fitas), m as os utiliza d e m an eira
absolutam ente singular e subversiva, a favor da con strução de um resultad o
artístico que é atravessad o p elas linguagens d a p intura, do desenh o, da
escultura e até m esm o da gravura, m as tam bém p or inquietudes oriundas d o
in ventário de im agens e d o cam p o sim bólico que tem lhe afetado desd e o início
d a carreira.

FANTASIAR OS ENREDOS: A e n g e n h o s a p r o p o s t a e x p o g r á fic a d o Es t ú d io Sa u á ,
tira p artid o dos ban cos e de outros elem entos arquitetônicos do vagão do trem
p ara m on tar um a vitrin e usan d o tiran tes e m ad eira. Nela, Corpo popular
a p re se n t a u m a fo t o g a le ria c o m e n t a d a d o s 10 d e sfile s d e Le a n d ro Vie ira p a ra o
c a r n a v a l c a r io c a . Alé m d e im a g e n s-sínteses dos enredos, escolhid as a p artir do
q u esito fan tasia, o p ú b lico vai p od er ou vir o p róp rio Lean d ro com en tan d o o
p rojeto criativo que alin h avou p ara cad a d esfile, tan to n a escolh a d e m ateriais
quanto ao que diz resp eito de construção crom ática ou p ensam ento con ceitual
sobre im agem .
CORPO EM DESFILE: Um a seleção reduzida e esp ecialm ente adap tada ao vagão da
Central da instalação que ganha versão m aior no Paço Im p erial.

Paço Imperial
Praça XV de Novembro, 48
Centro - Rio de Janeiro
55 21 2215 2093
 
Terça à domingo das 12h às 18h
Entrada Franca
 
Bistrô do Paço
De segunda a sexta, das 11h às 19h30
Sábados, domingos e feriados, das 12h às 19h
 
Entrepasso gastronomia
De segunda a sexta, das 10h às 20h
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h