Prêmio PIPA 2026 Ano 17
O Prêmio PIPA chega à sua 17a edição reafirmando a missão de apoiar e difundir a arte contemporânea brasileira. Ao premiar quatro artistas a cada ano, o PIPA abre espaço para histórias, memórias e poéticas que revelam a pluralidade da nossa cultura. A seleção é conduzida com rigor pelo Conselho do PIPA e por seu Comitê de Indicação — que em 2026 reuniu 22 curadores, críticos, pesquisadores e artistas de todas as regiões do país e do exterior. Todos os indicados foram convidados a participar do PIPA Online, categoria de voto popular que ocorre na internet. Entre os 56 participantes, os mais votados foram o carnavalesco João Vítor Araújo (RJ) e Òkun (GO), artista cuja obra articula pintura e espiritualidade.
Quanto à categoria principal, a exposição dos 4 artistas selecionados pelo Conselho do Prêmio desenha uma cartografia viva da arte nacional, convidando o público a revisitar o olhar sobre a produção contemporânea, reunindo trajetórias das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Sem caráter competitivo e possibilitando um diálogo entre os trabalhos dos artistas, a exposição do Prêmio PIPA 2026 se consolida como um panorama aberto e plural do presente, conectando a produção dos artistas às urgências do nosso tempo.
Os Artistas Premiados
Amador e Jr. Segurança Patrimonial Ltda. Rio de Janeiro, RJ, 2015
A série de propostas performáticas concebidas por Antonio Gonzaga Amador e Jandir Jr. é realizada em instituições de arte pelos próprios artistas trajados com uniformes de seguran- ça e tem seus problemas centrais vindos das relações entre as instituições e as pessoas que trabalham cotidianamente em suas salvaguardas. Entre os assuntos discutidos pelas performances, está a racialização dos corpos que realizam esses trabalhos.
Belo e Bizarro Taguatinga, DF, 1999. Vive em Brasília, DF
A artista investiga a tensão entre natureza e cultura, entre urbano e selvagem, com uma pesquisa que articula precariedade, vivências de deslocamento e sua identidade como corpo trans não–binário. Apresenta trabalhos que abordam falências e formas diversas de exploração, entre elas a tentativa de cerceamento e controle total dos corpos. Suas obras partem da imagem como corpo dotado de densidade, memória e poder.
Coletivo Themônias da Amazônia Belém, PA, 2014
O movimento artístico formado por mais de 100 artistas LGBTQIAPN+ mistura a prática drag a elementos da montação e da cultura amazônica em diversas manifestações culturais, utilizando materiais reciclados e de baixo custo. Com uma prática que une arte e ativismo, como escrevem, são “corpos dissidentes que gritam, dançam e atravessam linguagens. Entre ancestralidade e urgência, fazem da arte gesto de resistência, memória viva e reinvenção de mundos possíveis“.
Jane Batista Piripiri, Pl, 1975. Vive em Fortaleza, CE
Desde 2020, se dedica à fotografia de forma autodidata, utilizando exclusivamente o celular como ferramenta de captura e edição. Nessa prática, inaugurou um modo de expressão, transformando um dispositivo comum em estratégia de autonomia, resistência e elaboração psíquica. Ao se fotografar, ela não apenas se representa, mas reinscreve um corpo negro, feminino e periférico na história da imagem como sujeito de enunciação, recusando a objetificação, o exotismo e a herança colonial do retrato no Brasil.