Artistas participantes André Griffo, Anna Bigão, Arjan Martins, Bea Machado, Berna Reale, Bruno Vilela, Camila Soato, Elias Maroso, enorê, Jaime Lauriano, João Nascimento, Musa Michelle Mattiuzzi, Sofia Borges e Thix
O gesto nunca é neutro. De um lado, existe o gesto do poder – aquele que impõe regras, domina e divide. Do outro, existe o poder do gesto – a capacidade de resistir, criar e transformar a realidade por meio da arte e do próprio corpo.
Esta exposição apresenta um recorte de obras da coleção do Instituto PIPA que mostra como a arte contemporânea brasileira responde às dinâmicas de autoridade, memória, escolhas e posicionamentos.
A história do Brasil, desde o período colonial até acontecimentos políticos mais recentes, ganha centralidade no confronto entre a pintura ‘Rio Setecentista’, de Arjan Martins, a tela ‘O Golpe, a prisão e outras manobras incompatíveis com a democracia’, de André Griffo, e a
fotografia de Sofia Borges, da série ‘A máscara, o gesto e o papel‘. Em seguida, na foto-performance ‘A Mulher’, de Berna Reale, e nas esculturas de bandeirantes de Jaime Lauriano, a crítica às estruturas de dominação se apresenta na reelaboração de símbolos oficiais – onde o latão das munições, a violência e a ironia expõem as fissuras da nossa democracia. Rachaduras que se materializam também na superfície rasgada da tela de Camila Soato, no rigor da estrutura de ferro em ‘Fóssil’ (da série ‘Ossos de Ferragem‘), de João Nascimento, e nas regras impostas na serigrafia ‘I Agree to the Terms and Conditions of Use’ de Elias Maroso. Já a fotografia de Musa Michelle Mattiuzzi coloca o próprio corpo em confronto e provocação.
As pinturas de Bea Machado trazem afeto e fé, e a fotografia de Bruno Vilela aposta no fantástico, na virada de jogo. As pesquisas de enorê e Anna Bigão combinam a tecnologia digital com a matéria, transportando memórias e resíduos para suas obras. Por fim, em suas telas, Thix discute a história da arte, trazendo questões de identidade e gênero em uma figuração clássica.
Há que se mencionar, ainda, o gesto curatorial: o de questionar, apontar e provocar, promovendo o diálogo entre diferentes temas, artistas e suportes variados. Ao reunir esses trabalhos, convido o público a pensar de que maneiras nossas atitudes diárias e a nossa criatividade podem transformar as estruturas de poder.